Como nasce o Campus da UFMG em Betim

A proposta de implantação de um campus da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) em Betim não surgiu de forma repentina. Ao contrário do que muitos imaginam, trata-se de uma construção que começou ainda em 2025, fruto de diálogo institucional, planejamento e da articulação entre diferentes esferas do poder público e da comunidade acadêmica.

Em meados do ano passado, fui procurado pelo deputado federal Reginaldo Lopes e pelo diretor do campus da Universidade Federal de Viçosa em Florestal, Antônio César Pereira Calil, para discutirmos a possibilidade de criação de um polo da Universidade Federal de Viçosa (UFV) em Betim. A ideia inicial era implantar cursos noturnos, de extensão e modalidades semipresenciais que ampliassem o acesso ao ensino superior público na cidade.

A proposta nos agradou muito. Entendemos que ela dialogava diretamente com experiências que já vínhamos desenvolvendo em Betim, como o programa Qualifica Betim, também em parceria com a UFV, que oferece cursos técnicos nas áreas de informática, agropecuária, logística, segurança do trabalho, tecnologia da informação e administração. Ou seja, havia uma base sólida para ampliar essa iniciativa e conectá-la ao ensino superior federal.

Com essa ideia em mente e muita disposição, fomos até o Ministério da Educação, onde fomos recebidos pelo então secretário-executivo da pasta, Leonardo Barchini, que hoje ocupa o cargo de ministro da Educação. Apresentamos o projeto e mostramos também o potencial do espaço onde pretendíamos implantar o polo universitário: o antigo Clube da Fiat.

O local reúne características extremamente favoráveis para a instalação de uma universidade. São quase 90 mil metros quadrados, com ampla possibilidade de construção de novos prédios, além de uma estrutura esportiva consolidada: quadras, ginásio, auditório com capacidade para mais de duas mil pessoas, pista oficial de atletismo, campo de futebol oficial e áreas voltadas à prática de diversas modalidades esportivas. Diante dessas condições, a proposta começou a ganhar uma dimensão maior.

Foi nesse momento que surgiu a possibilidade de transformar o que inicialmente seria um polo universitário em um campus federal completo. A ideia ainda estava vinculada à UFV, mas, após novas conversas, o próprio Ministério da Educação avaliou que outra instituição poderia ser consultada, considerando sua proximidade com Betim: a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), que completa 100 anos de história no próximo ano.

Assim, o deputado Reginaldo Lopes e eu procuramos a então reitora da UFMG, Sandra Goulart. Ela analisou a proposta com atenção e enxergou uma oportunidade estratégica. Betim está localizada em uma região extremamente dinâmica, que abrange o município e todo o Médio Paraopeba, uma área com forte presença industrial, mas que ainda carece de oferta de ensino superior federal.

Com essa avaliação positiva, voltamos ao Ministério da Educação e retomamos as discussões. A partir daí, o projeto ganhou forma institucional. Participaram dessas conversas, além de mim e do deputado Reginaldo Lopes — a quem dedico toda honra e agradecimento —, o então secretário-executivo Leonardo Barchini, o secretário de Ensino Superior, Marcus Vinícius David, além de importantes representantes da cidade de Betim, como a secretária municipal de Educação, Marilene Pimenta, o procurador-geral do município, Joab Costa, o presidente da Comissão de Educação da Câmara de Betim, vereador Thiago Santana, e o presidente do nosso Poder Legislativo, Léo Contador.

Elaboramos então uma proposta formal apresentada à reitoria da UFMG. Após análise técnica e acadêmica, a universidade sinalizou positivamente para o projeto. Na sequência, voltamos novamente ao Ministério da Educação e realizamos uma reunião por videoconferência com o então ministro Camilo Santana, na qual discutimos a viabilidade do campus. O ministro apoiou a iniciativa, mas explicou que a decisão final dependeria também da autorização do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Foi nesse momento que o trabalho institucional encontrou uma oportunidade decisiva. Durante uma visita do presidente Lula a Betim, por ocasião do anúncio de R$ 9 bilhões em investimentos na Refinaria Gabriel Passos (Regap), no último dia 19 de março, tivemos a oportunidade de apresentar diretamente ao presidente o projeto da universidade.

Naquele primeiro momento, Lula ouviu atentamente, mas não deu uma resposta imediata. Ele pediu que retomássemos a conversa em Sete Lagoas, poucas horas depois, durante a cerimônia de entrega de ônibus escolares para Minas Gerais, promovida pelo Ministério da Educação.

Seguindo o comboio presidencial, já em Sete Lagoas, voltamos a conversar. O presidente chamou o ministro Camilo Santana, perguntou sobre a viabilidade da proposta, sobre a possibilidade de aprovação no conselho da UFMG e sobre a capacidade de implantação. Após ouvir as explicações do ministro, o presidente Lula anunciou ali mesmo a criação do campus em Betim.

Poucos dias depois, quando estivemos em Brasília para receber o Selo Ouro de Alfabetização, concedido pelo Ministério da Educação ao trabalho que desenvolvemos em nossa cidade, no dia 23 de março, o presidente Lula voltou a mencionar publicamente o projeto, reafirmando o compromisso do governo federal em apoiar a implantação do campus. Para nós, para a população de Betim e para a educação universitária, sem dúvida alguma, uma grande vitória!

Na sequência, ainda no dia 23 de março, fomos recebidos pela assessoria da Presidência da República, no Palácio do Planalto, para iniciar as tratativas formais do processo. Retomamos também as conversas com a reitoria da UFMG, tanto com a ex-reitora Sandra Goulart quanto com o atual reitor Alessandro Fernandes Moreira, para discutir os cursos que deverão compor a primeira etapa do campus.

A proposta inicial prevê seis cursos: três cursos de engenharia, um curso de ciência do esporte, um curso de inteligência artificial e um curso na área da saúde, possivelmente fisioterapia, ampliando a formação de profissionais para atender às demandas da cidade e da região. Tudo isso atrelado a uma orientação do presidente Lula: fazer da universidade um espaço democrático para a comunidade do entorno, bairro em que cresci e me desenvolvi como pessoa.

Neste momento, o processo está em estágio avançado. Estamos em diálogo com o Ministério da Educação, agora sob a liderança do ministro Leonardo Barchini, e aguardamos a análise final do Conselho Universitário da UFMG, que deverá deliberar sobre a implantação do campus até meados de abril.

A Prefeitura de Betim já assumiu compromissos concretos para viabilizar o projeto. Vamos ceder o terreno do antigo Clube da Fiat, investir cerca de R$ 20 milhões na reforma e adequação das estruturas acadêmicas e também abrir uma nova via de acesso que ligará o espaço, no Jardim Petrópolis, à alça da BR-381, na região próxima ao empreendimento logístico da EPO, no Arquipélago Verde.

Superada a etapa de aprovação pela universidade, o próximo passo será a transferência oficial da área ao governo federal. A expectativa é que, já em maio, o presidente Lula possa assinar o decreto de criação do campus.

Se todo o cronograma for cumprido, o processo seletivo pela Sesu poderá começar ainda no segundo semestre deste ano, permitindo que as primeiras turmas iniciem suas aulas em janeiro do próximo ano.

Essa é uma conquista que não pertence a um único governo, partido ou liderança. Ela é fruto de uma construção coletiva que reúne o poder municipal, representado pela Prefeitura de Betim; o poder legislativo, representado pela Câmara Municipal e pela Câmara dos Deputados, sobretudo por meio do deputado Reginaldo Lopes; e o governo federal, por meio do Ministério da Educação, da Presidência da República e do próprio presidente Lula.

Mais do que um novo equipamento educacional, o campus da UFMG em Betim representa uma nova etapa no desenvolvimento da cidade e de toda a região do Médio Paraopeba. E esperamos que, muito em breve, possamos celebrar juntos a chegada de uma das maiores universidades da América Latina justamente no ano em que ela completa um século de história.

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