Uma política pública verdadeiramente transformadora não nasce de improvisos. Ela exige método, diagnóstico, planejamento, acompanhamento permanente e, acima de tudo, compromisso com as pessoas que mais precisam da presença do Estado. Foi exatamente esse caminho que escolhemos ao construir o Betim Inclusiva, um programa que representa uma nova forma de compreender e promover a educação inclusiva em nossa cidade.
Mais do que um conjunto de ações isoladas, o Betim Inclusiva foi concebido como uma política pública estruturada em seis etapas complementares, capazes de garantir acolhimento, acompanhamento especializado e oportunidades reais de desenvolvimento para estudantes com deficiência e para suas famílias.
Toda política pública séria começa pelo conhecimento da realidade. Por isso, ainda nos primeiros meses de governo, em janeiro e fevereiro de 2025, iniciamos, por meio da Fundação Beta, um amplo processo de identificação e caracterização dos estudantes com deficiência matriculados na rede municipal de ensino, incluindo as unidades próprias e conveniadas.
O trabalho se estendeu ao longo de todo o ano e revelou uma realidade dinâmica, que exige atualização constante. Em junho de 2026, chegamos à marca aproximada de 3.500 estudantes com deficiência ou necessidades específicas de apoio educacional, sendo que cerca de 80% deles apresentam algum tipo de neurodivergência, como Transtorno do Espectro Autista (TEA), TDAH e outras condições do neurodesenvolvimento.
Além da identificação dos estudantes, o diagnóstico permitiu mapear níveis de suporte, perfis de aprendizagem, tipos de deficiência e demandas específicas de cada território. Em outras palavras, passamos a enxergar cada aluno como indivíduo, e não apenas como estatística.
O segundo passo foi compreender que a inclusão não pode ser responsabilidade exclusiva da escola. Ela exige uma atuação integrada entre educação, saúde, assistência social e família.
Por isso, estruturamos um projeto para a criação de oito equipes multissetoriais especializadas, das quais duas já iniciarão suas atividades em agosto deste ano.
Cada equipe será composta por nove profissionais de diferentes áreas do conhecimento:
* Neuropediatra;
* Psicopedagogo;
* Psicólogo;
* Terapeuta ocupacional;
* Fonoaudiólogo;
* Fisioterapeuta;
* Enfermeiro;
* Assistente social;
* Técnico de enfermagem.
Essas equipes atuarão tanto de forma fixa quanto itinerante, utilizando veículos exclusivos para percorrer as unidades escolares e prestar atendimento especializado diretamente nos territórios. Trata-se de um modelo baseado na interdisciplinaridade e na construção de redes de apoio permanentes.
A terceira etapa consiste na reestruturação de uma das figuras mais importantes da educação inclusiva: o profissional que acompanha o estudante dentro da escola.
Estamos promovendo uma mudança conceitual importante. Os atuais apoios pedagógicos passam a ser reconhecidos como mediadores de aprendizagem, uma nomenclatura mais compatível com a função que efetivamente exercem.
O mediador não apenas auxilia o estudante. Ele constrói pontes entre o aluno, a família, os professores, a escola e os serviços especializados. É um articulador do processo educacional.
Para fortalecer essa função, estamos propondo um novo modelo de contratação, acompanhado da criação de um piso municipal específico, garantindo maior valorização profissional, redução da rotatividade e mais estabilidade para os estudantes que dependem desse acompanhamento.
Além disso, a distribuição desses profissionais passará a ser orientada pelos diagnósticos e pelas avaliações realizadas pelas equipes multissetoriais, tornando o sistema mais justo e eficiente.
A quarta etapa incorpora um dos elementos mais modernos da gestão pública contemporânea: o uso estratégico da tecnologia.
Estamos desenvolvendo uma plataforma digital que permitirá o acompanhamento online e em tempo real da trajetória dos estudantes atendidos pelo programa.
O sistema poderá ser acessado por diferentes atores envolvidos no processo, respeitando os níveis de permissão e a legislação de proteção de dados:
* Famílias atípicas;
* Educadores;
* Gestores escolares;
* Secretaria Municipal de Educação;
* Gabinete do Prefeito;
* Órgãos de controle interno;
* Ministério Público;
* Câmara Municipal, por meio das comissões competentes.
A plataforma permitirá registrar evoluções pedagógicas, intervenções especializadas, intercorrências e encaminhamentos, promovendo mais transparência, integração e capacidade de resposta.
A quinta etapa prevê a ampliação dos ambientes especializados de aprendizagem.
Até o final de 2028, serão implantadas 20 salas multissensoriais completas, distribuídas estrategicamente nas principais escolas da rede municipal já previamente mapeadas.
Esses espaços serão projetados para estimular diferentes canais sensoriais, promover autorregulação emocional, favorecer a comunicação e potencializar processos de aprendizagem, especialmente para estudantes neurodivergentes.
As duas primeiras unidades já começam a ser implantadas neste semestre, inaugurando uma nova geração de ambientes educacionais voltados para a inclusão.
A sexta etapa representa talvez a mais ousada transformação de todo o programa.
Estamos promovendo a descentralização do atual modelo de atendimento especializado por meio da criação do “Cidade” — Centro de Inclusão, Desenvolvimento e Acolhimento Didático Especializado.
A primeira unidade será implantada no Sítio Poções e funcionará dentro de um conceito inovador de educação inclusiva.
O espaço contará com duas estruturas complementares.
A primeira será destinada ao atendimento especializado, reunindo clínicas, salas de acolhimento familiar e os escritórios das equipes multissetoriais.
A segunda será voltada ao atendimento educacional dos estudantes que demandam níveis mais elevados de suporte, oferecendo ambientes pedagógicos adaptados e acompanhamento intensivo.
O objetivo não é substituir a escola regular, mas criar uma retaguarda altamente especializada para os casos que exigem intervenções mais complexas e individualizadas.
Esta será uma experiência piloto que servirá de base para futuras expansões. A próxima unidade já está planejada para atender as regiões do Imbiruçu e Teresópolis, ampliando progressivamente a cobertura territorial do programa.
Uma política construída para durar
O Betim Inclusiva não é apenas um programa de governo. É a construção de uma nova política pública baseada em evidências, acolhimento, acompanhamento especializado e gestão integrada.
Ao combinar diagnóstico permanente, equipes multidisciplinares, valorização dos mediadores, tecnologia de monitoramento, ambientes especializados e centros de referência territorializados, estamos construindo uma rede capaz de atender não apenas os estudantes neurodivergentes e com deficiência, mas também suas famílias.
Porque inclusão não significa apenas garantir matrícula. Inclusão significa criar condições reais para que cada criança e cada adolescente possam aprender, desenvolver suas potencialidades e construir seu projeto de vida com dignidade.
Esse é o compromisso do Betim Inclusiva. E essa é a política pública que estamos construindo para o presente e para o futuro de Betim.
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